quarta-feira, 11 de abril de 2018

Expurgo de neurônios.

Um mergulho, milésimos de segundos de baixo da água, uma eternidade fora da realidade. Um salto de fé.
A falta que a falta faz. São partes, momentos, lembranças. Quem nunca sentiu que precisava de algo que ao menos nem sabia o que era ?
A arte de observar. A arte de poder apreciar o silêncio. Abraça-lo. Compreende-lo. Aceita-lo. Por fim vive-lo.
Mundo agitado, carros buzinam, crianças choram  cachorros latem e eu só consigo ouvir o silêncio dentro de mim. GRITA ALTO.
Não consigo ouvir nada. Eu ouvia o silêncio, agora eu sou o silêncio. Assim eu avanço, na quietude, meu progresso será barulhento, eu não.
Iceberg. Internet. I(Eu).
Faz sentido para quem sabe o que é. São referências que precisam ser ditas. Eu falo em metáforas. Eu não sou o coelho nem a tartaruga. Eu sou a pista e a linha de chegada.
Eu sou o meu reflexo na água remexida da poça. Não espere a água acalmar para me enxergar, na água parada não será mais eu.
Perceba que sempre que eu começo a falar é diferente, a intenção é a mesma. O ponto talvez não seja sobre o que eu estou falando. Com certeza.

R. Oliveira

terça-feira, 10 de abril de 2018

Carta suicida eletrônica.

Só meu caderno sabe quantas cartas de despedida eu escrevi, só o google sabe quantas vezes eu pesquisei maneiras eficientes de morrer, só meu cachorro sabe quantas noites eu precisei me drogar até desmaiar.
Tô tentando lembrar a última vez que eu chorei, só que faz tanto tempo que parece que foi no dia em que eu nasci.
Eu sinto dores, nenhuma física, nenhuma que possa ser curada com Dorflex ou chá de boldo.
Eu converso com a morte ela me chama, no silêncio da noite eu quase fui com ela.
Eu não posso fugir. Onde quer que eu vá ele está lá. O meu pior inimigo. Eu mesmo. É como lutar com o meu reflexo do espelho, sempre que tento bater nele, ele revida.
Olhe minha cara enquanto conversamos, ela te diz fale comigo.
Olhe a minha mente enquanto conversamos, ela te diz me tire daqui.
Um buraco negro no coração, um big bang na cabeça. Minhas costelas são como uma gaiola vazia, meu crânio é como os servidores do Google.
Comprimo toda a minha tristeza em um cigarro. O máximo de entorpecido que eu puder ficar antes que a overdose consiga me alcançar.
"Eu sei que determinada rua que eu já passei não voltará a ouvir o som dos meus passos, tem uma revista que eu guardo a muitos anos e eu nunca mais irei abrir. Cada vez que eu me despeço de uma pessoa pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez. A morte, surda, caminha ao meu lado, e eu não sei em qual esquina ela vai me beijar..."

R. Oliveira

No reino animal não existe limite para proteção.

Pêlos servem para proteger o corpo, os ossos servem para proteger os órgãos. Quem protege aquilo que sentimos ?
Já foi dito por mim o quanto acho necessário estarmos sempre disponíveis para o que nos for concedido, o conceito de sermos descartáveis... Ainda concordo plenamente com esse conceito, não obstante, precisamos falar aqui sobre o ato de proteger ou assim por dizer, auto reciclar-nos.
Vejo constantemente os humanos nas suas respectivas (mal)ditas redes sociais falando sobre "lutar até cansar", "desistir por não aguentar mais"... Tais prosopopeias me fizeram pensar, qual é o limite da insistência humana? Incontáveis fatores devem ser considerados aqui, os físicos, os psicológicos e até os sentimentais. Já diria Mano Brown "cada um é cada um". Penso naquele moço que insiste em ir atrás da moça que não lhe dá a mínima atenção. Qual seu limite? Penso também na moça que toca sua bateria numa banda de pop/rock, mas queria tocar samba reggae no Olodum. Qual seu limite? Penso naquele adulto que desde o fim da infância corre atrás do seu sonho sem obter algum êxito. Qual seu limite?
Limite, na matemática "f(x)", na geografia "fronteiras", na física "tempo-espaço", na minha vida "desconhecido".
Jargões como "tente outra vez", "push harder", "andar para trás só se for para pegar impulso", me parecem um tanto quanto entediantes.
Não me julgo desconhecedor do limite pelo fato de não tê-lo, afinal todos SEMPRE temos, me considero desavisado do meu ponto final apenas por não haver tido para com ele um encontro. Anseio esse momento sem nenhuma pressa ou precipitação, pois o limite assim como a morte vem com o mais belo e cruel trabalho de por um fim.

R. Oliveira

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Eu, ser transitório

Vivendo o transitivo direto dos dias

Agindo diretamente ao ponto

Seguindo os pontos

Pontuando

Eu, ser efêmero

Sentindo o correr do tempo

O vento em brisa

Brisa em ventania

Passando

Eu, ser lúdico

Divertindo, divertindo-me

Eu, ser  empírico

Baseando-me no que vivo

Formulando minhas teorias

Experimentando  

Eu, ser profundo

Às vezes um tanto raso

Transbordo

Eu ser em processo construtivo

Crescendo.


Mel Campos

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Maria não vai com as outras.

Maria vai aos lugares que todos vão. Maria sempre vai sozinha. Maria fez uma tattoo e não postou no instagram. Maria se apaixonou e falou para o boy. Maria sentiu saudades da amiga e chamou-a no Whatsapp. Maria brigou com a namorada e não ficou na defensiva apontando o erro do errado pra se fazer de vítima. Maria tentou melhorar seus defeitos. Maria atravessou a cidade para ir ver o amigo que não via há anos. Maria pediu perdão ao ex-namorado pelos vacilos. Maria lembrava a sua avó sempre que possível que a amava. Maria sentia ciúmes do seu irmão e pediu a ele pra evitar certas atitudes na presença dela. Maria ouviu uma música, se lembrou do ex-boy e ligou para ele para saber como ele estava. Maria parou de ficar com a empadinha e não saiu por ai fazendo apostas mentais para saber quem desapegava primeiro. Maria brigou com seu pai e voltou a falar com ele antes de precisar de um favor, apenas porque ela o ama. Maria pede: ”por favor” e “obrigado”. Maria fala com as pessoas sem interesse. Quando algo incomoda Maria ela tenta resolver da melhor maneira possível para todos. Maria não julga. Maria aceita opiniões contraria a dela mesmo sem concordar. Maria vai à hora que ela quer. Maria vai com quem ela quer. Maria volta como ela quer. Ela é Maria, mas não vai com as outras.

R. Oliveira

Escuro como a noite, frio como o chão.

Respire, você acabou de cavar um buraco, mas ainda não é hora de parar, você tem outros buracos para cavar.
Se alguém te perguntasse onde esta a sua dor, para onde você apontaria?
Existe vazios como um eco, a reverberação dos sentimentos que te engolem num completo infinito de absorção.
Você se vê no reflexo da água, você toca na água, aquele momento de conturbação é o seu momento agora, contudo espera, a bonança volta, fei.
Fechar o olho dói, não que o escuro incomode, a completa agonia e falta de senso de direção deixa qualquer um impotente.
Estertor feito de más decisões, não se contém no peito, transborda o papel, enche o copo e esvazia o estômago.
A existência é um ato de equilíbrio entre escolhas e consequências, pessoas sempre se desequilibram e com isso ficam desequilibradas. Atire a primeira pedra quem nunca tomou a decisão correta e demorou de aprender a conviver com isso e cogitou voltar atrás e seguir o caminho errado.
É difícil ser forte quando além de lutar contra o que vem de fora, você precisa combater o que vem de você, impulsos violentos de jogar tudo para cima e apostar todas as fichas no cavalo que nem vai participar da corrida.
Existe um ditado do interior que diz “nunca enjoe de um cavalo puro-sangue”, gostaria de avisar que um pangaré também nos leva onde queremos chegar, a viagem pode ser mais turbulenta e cansativa, menos confortável e ligeira. Beber Domec te deixa bêbado como beber Hennessy, você só precisa aguentar uma ressaca pior na manhã seguinte. Basicamente eu me afoguei numa piscina de Domec.
Eu vi uma poça de tristeza e solidão e me joguei de cabeça.
Meu silêncio diz tudo, ouve quem quer.

R. Oliveira

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Gabriela, coentro e cominho.

Certa vez me disseram que o homem é produto do meio, não lembro quem disse tal infâmia, mas não é que esse filho da puta tava certo !?
Muita informação para pouco cérebro, obrigado BuzzFeed por me mostrar os 34 filhotinhos mais fofos da internet. Puta que pariu a seleção natural, ser obrigado a conviver com amantes de hits de 2 frases e 3 acordes, onde estão os super-heróis da mesmice ? Será que esse é o futuro da humanidade ? Livros sem conceito falando de amores de televisão ? Me poupe, eu tô pouco me fudendo para saber se a culpa é minha ou das estrelas, se você é 99% anjo e 1% vagabundo... Aliás, vamos e convenhamos no dia que um vagabundo de verdade ouvir um som como esse é o dia em que eu realmente desistirei de viver.
Vagabundos de verdade estão ouvindo Racionais MC's dentro de um carro roubado com tanta cocaína na mente que eles nem conseguem perceber que a musica avisa a eles a não cometer a burrice que eles estão prestes a arriscar. Eu queria saber em qual momento da vida que a evolução se perdeu e começou a se degradar. Penso o quanto nomes pesados da cultura nacional e internacional sofrem com o ponto em que chegamos. Eu fico imaginando Luiz Gonzaga cantando uma musica do aviões do forró, prefiro rir para não chorar. Por quê essa geração é tão bosta assim ? Como faz para pausar a vida aqui e só dar play daqui a uns 7 anos quando essa doença ter sido extinta ?
Cada dia fica mais difícil encontrar os que não foram contaminados por essa doença, o pior é que eu não consigo ficar doente, estou fadado ao completo isolamento dessa futura "sociedade".
Me diga o que você gosta de ler e de ouvir antes de abrir as pernas para mim.

R. Oliveira