terça-feira, 10 de abril de 2018

Carta suicida eletrônica.

Só meu caderno sabe quantas cartas de despedida eu escrevi, só o google sabe quantas vezes eu pesquisei maneiras eficientes de morrer, só meu cachorro sabe quantas noites eu precisei me drogar até desmaiar.
Tô tentando lembrar a última vez que eu chorei, só que faz tanto tempo que parece que foi no dia em que eu nasci.
Eu sinto dores, nenhuma física, nenhuma que possa ser curada com Dorflex ou chá de boldo.
Eu converso com a morte ela me chama, no silêncio da noite eu quase fui com ela.
Eu não posso fugir. Onde quer que eu vá ele está lá. O meu pior inimigo. Eu mesmo. É como lutar com o meu reflexo do espelho, sempre que tento bater nele, ele revida.
Olhe minha cara enquanto conversamos, ela te diz fale comigo.
Olhe a minha mente enquanto conversamos, ela te diz me tire daqui.
Um buraco negro no coração, um big bang na cabeça. Minhas costelas são como uma gaiola vazia, meu crânio é como os servidores do Google.
Comprimo toda a minha tristeza em um cigarro. O máximo de entorpecido que eu puder ficar antes que a overdose consiga me alcançar.
"Eu sei que determinada rua que eu já passei não voltará a ouvir o som dos meus passos, tem uma revista que eu guardo a muitos anos e eu nunca mais irei abrir. Cada vez que eu me despeço de uma pessoa pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez. A morte, surda, caminha ao meu lado, e eu não sei em qual esquina ela vai me beijar..."

R. Oliveira

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