Um mergulho, milésimos de segundos de baixo da água, uma eternidade fora da realidade. Um salto de fé.
A falta que a falta faz. São partes, momentos, lembranças. Quem nunca sentiu que precisava de algo que ao menos nem sabia o que era ?
A arte de observar. A arte de poder apreciar o silêncio. Abraça-lo. Compreende-lo. Aceita-lo. Por fim vive-lo.
Mundo agitado, carros buzinam, crianças choram cachorros latem e eu só consigo ouvir o silêncio dentro de mim. GRITA ALTO.
Não consigo ouvir nada. Eu ouvia o silêncio, agora eu sou o silêncio. Assim eu avanço, na quietude, meu progresso será barulhento, eu não.
Iceberg. Internet. I(Eu).
Faz sentido para quem sabe o que é. São referências que precisam ser ditas. Eu falo em metáforas. Eu não sou o coelho nem a tartaruga. Eu sou a pista e a linha de chegada.
Eu sou o meu reflexo na água remexida da poça. Não espere a água acalmar para me enxergar, na água parada não será mais eu.
Perceba que sempre que eu começo a falar é diferente, a intenção é a mesma. O ponto talvez não seja sobre o que eu estou falando. Com certeza.
R. Oliveira
quarta-feira, 11 de abril de 2018
terça-feira, 10 de abril de 2018
Carta suicida eletrônica.
Só meu caderno sabe quantas cartas de despedida eu escrevi, só o google sabe quantas vezes eu pesquisei maneiras eficientes de morrer, só meu cachorro sabe quantas noites eu precisei me drogar até desmaiar.
Tô tentando lembrar a última vez que eu chorei, só que faz tanto tempo que parece que foi no dia em que eu nasci.
Eu sinto dores, nenhuma física, nenhuma que possa ser curada com Dorflex ou chá de boldo.
Eu converso com a morte ela me chama, no silêncio da noite eu quase fui com ela.
Eu não posso fugir. Onde quer que eu vá ele está lá. O meu pior inimigo. Eu mesmo. É como lutar com o meu reflexo do espelho, sempre que tento bater nele, ele revida.
Olhe minha cara enquanto conversamos, ela te diz fale comigo.
Olhe a minha mente enquanto conversamos, ela te diz me tire daqui.
Um buraco negro no coração, um big bang na cabeça. Minhas costelas são como uma gaiola vazia, meu crânio é como os servidores do Google.
Comprimo toda a minha tristeza em um cigarro. O máximo de entorpecido que eu puder ficar antes que a overdose consiga me alcançar.
"Eu sei que determinada rua que eu já passei não voltará a ouvir o som dos meus passos, tem uma revista que eu guardo a muitos anos e eu nunca mais irei abrir. Cada vez que eu me despeço de uma pessoa pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez. A morte, surda, caminha ao meu lado, e eu não sei em qual esquina ela vai me beijar..."
R. Oliveira
Tô tentando lembrar a última vez que eu chorei, só que faz tanto tempo que parece que foi no dia em que eu nasci.
Eu sinto dores, nenhuma física, nenhuma que possa ser curada com Dorflex ou chá de boldo.
Eu converso com a morte ela me chama, no silêncio da noite eu quase fui com ela.
Eu não posso fugir. Onde quer que eu vá ele está lá. O meu pior inimigo. Eu mesmo. É como lutar com o meu reflexo do espelho, sempre que tento bater nele, ele revida.
Olhe minha cara enquanto conversamos, ela te diz fale comigo.
Olhe a minha mente enquanto conversamos, ela te diz me tire daqui.
Um buraco negro no coração, um big bang na cabeça. Minhas costelas são como uma gaiola vazia, meu crânio é como os servidores do Google.
Comprimo toda a minha tristeza em um cigarro. O máximo de entorpecido que eu puder ficar antes que a overdose consiga me alcançar.
"Eu sei que determinada rua que eu já passei não voltará a ouvir o som dos meus passos, tem uma revista que eu guardo a muitos anos e eu nunca mais irei abrir. Cada vez que eu me despeço de uma pessoa pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez. A morte, surda, caminha ao meu lado, e eu não sei em qual esquina ela vai me beijar..."
R. Oliveira
No reino animal não existe limite para proteção.
Pêlos servem para proteger o corpo, os ossos servem para proteger os órgãos. Quem protege aquilo que sentimos ?
Já foi dito por mim o quanto acho necessário estarmos sempre disponíveis para o que nos for concedido, o conceito de sermos descartáveis... Ainda concordo plenamente com esse conceito, não obstante, precisamos falar aqui sobre o ato de proteger ou assim por dizer, auto reciclar-nos.
Vejo constantemente os humanos nas suas respectivas (mal)ditas redes sociais falando sobre "lutar até cansar", "desistir por não aguentar mais"... Tais prosopopeias me fizeram pensar, qual é o limite da insistência humana? Incontáveis fatores devem ser considerados aqui, os físicos, os psicológicos e até os sentimentais. Já diria Mano Brown "cada um é cada um". Penso naquele moço que insiste em ir atrás da moça que não lhe dá a mínima atenção. Qual seu limite? Penso também na moça que toca sua bateria numa banda de pop/rock, mas queria tocar samba reggae no Olodum. Qual seu limite? Penso naquele adulto que desde o fim da infância corre atrás do seu sonho sem obter algum êxito. Qual seu limite?
Limite, na matemática "f(x)", na geografia "fronteiras", na física "tempo-espaço", na minha vida "desconhecido".
Jargões como "tente outra vez", "push harder", "andar para trás só se for para pegar impulso", me parecem um tanto quanto entediantes.
Não me julgo desconhecedor do limite pelo fato de não tê-lo, afinal todos SEMPRE temos, me considero desavisado do meu ponto final apenas por não haver tido para com ele um encontro. Anseio esse momento sem nenhuma pressa ou precipitação, pois o limite assim como a morte vem com o mais belo e cruel trabalho de por um fim.
R. Oliveira
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
Eu, ser transitório
Vivendo o transitivo direto dos dias
Agindo diretamente ao ponto
Seguindo os pontos
Pontuando
Eu, ser efêmero
Sentindo o correr do tempo
O vento em brisa
Brisa em ventania
Passando
Eu, ser lúdico
Divertindo, divertindo-me
Eu, ser empírico
Baseando-me no que vivo
Formulando minhas teorias
Experimentando
Eu, ser profundo
Às vezes um tanto raso
Transbordo
Eu ser em processo construtivo
Crescendo.
Mel Campos
Vivendo o transitivo direto dos dias
Agindo diretamente ao ponto
Seguindo os pontos
Pontuando
Eu, ser efêmero
Sentindo o correr do tempo
O vento em brisa
Brisa em ventania
Passando
Eu, ser lúdico
Divertindo, divertindo-me
Eu, ser empírico
Baseando-me no que vivo
Formulando minhas teorias
Experimentando
Eu, ser profundo
Às vezes um tanto raso
Transbordo
Eu ser em processo construtivo
Crescendo.
Mel Campos
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