sexta-feira, 28 de julho de 2017

Maria não vai com as outras.

Maria vai aos lugares que todos vão. Maria sempre vai sozinha. Maria fez uma tattoo e não postou no instagram. Maria se apaixonou e falou para o boy. Maria sentiu saudades da amiga e chamou-a no Whatsapp. Maria brigou com a namorada e não ficou na defensiva apontando o erro do errado pra se fazer de vítima. Maria tentou melhorar seus defeitos. Maria atravessou a cidade para ir ver o amigo que não via há anos. Maria pediu perdão ao ex-namorado pelos vacilos. Maria lembrava a sua avó sempre que possível que a amava. Maria sentia ciúmes do seu irmão e pediu a ele pra evitar certas atitudes na presença dela. Maria ouviu uma música, se lembrou do ex-boy e ligou para ele para saber como ele estava. Maria parou de ficar com a empadinha e não saiu por ai fazendo apostas mentais para saber quem desapegava primeiro. Maria brigou com seu pai e voltou a falar com ele antes de precisar de um favor, apenas porque ela o ama. Maria pede: ”por favor” e “obrigado”. Maria fala com as pessoas sem interesse. Quando algo incomoda Maria ela tenta resolver da melhor maneira possível para todos. Maria não julga. Maria aceita opiniões contraria a dela mesmo sem concordar. Maria vai à hora que ela quer. Maria vai com quem ela quer. Maria volta como ela quer. Ela é Maria, mas não vai com as outras.

R. Oliveira

Escuro como a noite, frio como o chão.

Respire, você acabou de cavar um buraco, mas ainda não é hora de parar, você tem outros buracos para cavar.
Se alguém te perguntasse onde esta a sua dor, para onde você apontaria?
Existe vazios como um eco, a reverberação dos sentimentos que te engolem num completo infinito de absorção.
Você se vê no reflexo da água, você toca na água, aquele momento de conturbação é o seu momento agora, contudo espera, a bonança volta, fei.
Fechar o olho dói, não que o escuro incomode, a completa agonia e falta de senso de direção deixa qualquer um impotente.
Estertor feito de más decisões, não se contém no peito, transborda o papel, enche o copo e esvazia o estômago.
A existência é um ato de equilíbrio entre escolhas e consequências, pessoas sempre se desequilibram e com isso ficam desequilibradas. Atire a primeira pedra quem nunca tomou a decisão correta e demorou de aprender a conviver com isso e cogitou voltar atrás e seguir o caminho errado.
É difícil ser forte quando além de lutar contra o que vem de fora, você precisa combater o que vem de você, impulsos violentos de jogar tudo para cima e apostar todas as fichas no cavalo que nem vai participar da corrida.
Existe um ditado do interior que diz “nunca enjoe de um cavalo puro-sangue”, gostaria de avisar que um pangaré também nos leva onde queremos chegar, a viagem pode ser mais turbulenta e cansativa, menos confortável e ligeira. Beber Domec te deixa bêbado como beber Hennessy, você só precisa aguentar uma ressaca pior na manhã seguinte. Basicamente eu me afoguei numa piscina de Domec.
Eu vi uma poça de tristeza e solidão e me joguei de cabeça.
Meu silêncio diz tudo, ouve quem quer.

R. Oliveira