Tenho deixado muito aprendizado para os leitores, então resolvi que vou agora compartilhar uma lição que eu aprendi, uma lembrança que eu ainda tenho.
Perdoem-me se eu não seguir a verdadeira ordem cronológica dos fatos, mas o fato é que eu acho que ainda não se apresentou o "ordo ab chao".
Não lembro realmente como começou, apenas lembro de que eu subia a ladeira quase todas as noites porquê estava chapado demais para ficar em casa, e ficávamos conversando, não eu e ela, e sim eu ela e todos que ali estavam, nos tornamos conhecidos, daqueles que você adiciona nas suas redes sociais, Facebook, Orkut, MSN, essas coisas... Não é que nos falávamos o dia todo, mas uma hora ou outra um puxava um assunto legal, aí foi o começo, pelo menos eu acho.
Não lembro de mais nada antes do que já era a nossa amizade, nasceu igual a capim, do nada, a próxima coisa que eu já me lembro é eu beijando outra e ela beijando outro, tudo em família, ou quase, se eu me lembro bem, tava alcoolizadas ela e a outra, mas isso é irrelevante, não lembro de muita coisa por aí, mas lembro que já eramos amigos nessa época, muito amigos mesmo, quase que inseparáveis, formou aí um triângulo amoroso sem muito amor ou com muito amor, não sei ao certo.
Acabou que eu me mudei, fui morar a 467 Km dela(claro que aconteceu muitas coisas antes disso, mas nem me dei o trabalho de tentar lembrar), depois de muitas situações acabei voltando, todos acham ou achavam que eu voltei por causa da outra, mas na verdade era por causa dela, eramos muito amigos, mas tipo, muito mesmo, do tipo que no meio de uma conversa espera o outro ir cagar para voltar e terminar de contar algo que provavelmente é idiota o bastante para não ser lembrado após 5 minutos. Eu ficava na maioria das vezes muito calado, só lendo/ouvindo ela falar mal de pessoas que eu nem conhecia, geralmente tava entorpecido, álcool ou maconha, não importava qualquer coisa ajudava, às vezes passávamos a tarde na ladeira conversando sobre os mais variados assuntos, tinha as tardes de brigadeiro, as tardes de pipoca, às vezes ela ia para a minha casa e novamente fazia brigadeiro e ficava falando mal dos outros, até hoje não sei o porquê, mas ela gostava muito disso, ela também constantemente entrava no meu Facebook e fazia declarações de amor para ela mesma, eu nunca entendi se era carência ou palhaçada, para mim era carência, mas eu só sei que ela gostava disso, enfim, muitas vezes ela aparecia lá em casa com outras, ah como eu gostava dessa parte, algumas vezes ela ia lá em casa ficar com outro, era um tipo de bacanal inocente, formado por quatro adolescentes.
Logo depois o que eu consigo me lembrar é da fase homossexual, eu nunca fui muito a favor, porém, sou adepto daquela velha receita de que "faz o que tu queres, pois é tudo da lei", mas sei lá, não encaixava, não combinava, não completava, pelo menos não na minha mente, só que PARA MIM amizade verdadeira é feita de amor e apoio incondicional, por isso e só por isso eu "apoiava" ela quando ela tinhas os impulsos homossexuais dela, assim como apoiei quando ela decidiu de uma vez por todas que ia ser finalmente, unica e exclusivamente hétero, eu só fazia apoiar, não interessava para mim o que ela decidia, o que eu fazia era abraçar e mostrar que eu tava ali para ela, a qualquer hora que ela precisasse. Logo depois que ela acabou a indecisão sobre a sexualidade dela ela teve uma paixão, ou foi antes ??? Não me recordo direito, mas acho que foi antes... Só sei que foi amor, daqueles que doí o dente só de imaginar, lembro que quando acabou ela sofreu bastante, mas isso é irrelevante para a estória. Depois desse amor ela chegou a se apaixonar algumas outras vezes, umas mais fortes que outras, mas todas sinceras, pelo menos eu considerava sinceras.
Ela era daquelas que se dedicava demais ao amor, cansei de ser deixado de lado pelos novos namoradinhos dela, não só eu como todo o resto de amigos dela, não sou carente de atenção, na verdade eu até gostava um pouco, nós andávamos muito juntos, era bom um pouco de espaço, tinha vezes que me sufocava de tanto que eramos grudados, mas eu admito que era um sufoco bom, como aquele de quando sente cócegas, acabou que eu fui aprendendo a conviver com os amores dela, e tive que aprender mais ainda quando esses amores acabavam que era eu quem ficava, ajudar a superar as dores era muito difícil, ainda mais as dela que era uma pessoa de se dedicar demais... Alguns foram mais difíceis que outros, sempre dependiam da intensidade da paixão, alguns para esquecer, bastou deletar as fotos do PC, outros nem tanto, pareciam uma desintoxicação. Eu tentava falar a ela coisas boas, do tipo "eu tô aqui", "eu não vou te abandonar", mas nunca fui muito bom em expressar os sentimentos com as palavras, sempre achei que ações são os melhores meios de se fazer isso, eu já tinha uma grande dificuldade em ter sentimentos, era estranho para mim falar sobre eles. Lembrei de uma vez em que conversávamos e ela disse da dificuldade que ela tinha em manter amizades, que mais cedo ou mais tarde todas as amizades dela acabavam chegando ao fim, e quando eu tinha que pronunciar às mais belas palavras, eu simplesmente à abracei, não sou e nunca fui muito bom em falar que amo uma pessoa, mas eu demonstro que é uma beleza.
Vou distorcer a já tão distorcida linha do tempo da estória, hoje(o dia em que escrevi o texto não o que postei) encontrei uma amiga em comum que tínhamos, de muito tempo atrás, e durante a nossa conversa essa pessoa me perguntou sobre ela e eu disse "não nos falamos mais" depois de um certo espanto da pessoa ela me perguntou o motivo, na hora de responder eu poderia ter dado mil respostas, mas a resposta proferida foi rápida e certeira como um tiro na cabeça, "não deu certo", e essa é a melhor definição sobre o que aconteceu entre nós, para qualquer um que não seja eu ou ela, porquê de verdade ninguém sabe realmente o que aconteceu, para alguns erros dela, para outros erros meus, nunca se sabe né !?
A questão foi que apareceu outras prioridades, outras coisas que importavam mais que o namoro ou amizade, a essa altura eu nem sei mais o que era aquilo que tínhamos, só sei que acabou... É como eu disse antes PARA MIM uma amizade é feita de amor e apoio incondicional, ela já tinha uma maneira diferente de ver e viver uma amizade, talvez a dela esteja certa e a minha errada, talvez os dois estejam certos no final das contas ou talvez nenhum dos dois, isso fica para Salomão decidir.
Foram anos de amor, amor, amor, amor mesmo, mas só que acabou, não foi fácil para mim e imagino que para ela também não, hoje(novamente me refiro ao dia que escrevi isso e não o que postei) ela me ligou, não atendi e nem retornei, não costumo atender ligação de estranhos, imaginei o que poderia ter sido, contudo deixei fluir, segue a vida.
Tem dias que eu sinto a falta dela, na mesma intensidade dos dias que eu nem me lembro que ela existe, sempre fui desapegado demais, a parte boa da dislexia é que nada é meu e eu não sou de ninguém, por muito tempo eu acabei sendo dela e creio que reciprocamente ela acabou sendo minha, como um recado da vida de que toda regra tem sua exceção e essa é apenas mais uma regra.
E de tudo sempre fica o aprendizado, eu falo por mim quando digo que foi uma época muito boa e importante da minha vida, nunca soube o quão forte e bonita podia ser uma amizade, nunca que eu acreditaria em uma amizade entre menino e menina antes de nós dois.
Realmente não sei como parar de falar dela, e de nós dois, acho que seriam preciso muito mais de quê um papel e caneta, é aquela coisa, só sabe quem viu e viveu para ver e conviver. Não sou bom com despedidas então vou acabar como nós dois acabamos, meio que do nada com um gostinho de quero mais e um fim igual o começo de uma hora para outra.
R. Oliveira