sexta-feira, 28 de julho de 2017

Escuro como a noite, frio como o chão.

Respire, você acabou de cavar um buraco, mas ainda não é hora de parar, você tem outros buracos para cavar.
Se alguém te perguntasse onde esta a sua dor, para onde você apontaria?
Existe vazios como um eco, a reverberação dos sentimentos que te engolem num completo infinito de absorção.
Você se vê no reflexo da água, você toca na água, aquele momento de conturbação é o seu momento agora, contudo espera, a bonança volta, fei.
Fechar o olho dói, não que o escuro incomode, a completa agonia e falta de senso de direção deixa qualquer um impotente.
Estertor feito de más decisões, não se contém no peito, transborda o papel, enche o copo e esvazia o estômago.
A existência é um ato de equilíbrio entre escolhas e consequências, pessoas sempre se desequilibram e com isso ficam desequilibradas. Atire a primeira pedra quem nunca tomou a decisão correta e demorou de aprender a conviver com isso e cogitou voltar atrás e seguir o caminho errado.
É difícil ser forte quando além de lutar contra o que vem de fora, você precisa combater o que vem de você, impulsos violentos de jogar tudo para cima e apostar todas as fichas no cavalo que nem vai participar da corrida.
Existe um ditado do interior que diz “nunca enjoe de um cavalo puro-sangue”, gostaria de avisar que um pangaré também nos leva onde queremos chegar, a viagem pode ser mais turbulenta e cansativa, menos confortável e ligeira. Beber Domec te deixa bêbado como beber Hennessy, você só precisa aguentar uma ressaca pior na manhã seguinte. Basicamente eu me afoguei numa piscina de Domec.
Eu vi uma poça de tristeza e solidão e me joguei de cabeça.
Meu silêncio diz tudo, ouve quem quer.

R. Oliveira

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